30
jun/09
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Um atacante europeu no Brasil

Ronaldo é ídolo do futebol brasileiro há mais de dez anos. Ele sabe muito bem o peso que suas declarações têm. Ontem, o Fenômeno atacou a preparação do Corinthians para a final da Copa do Brasil, contra o Internacional. Se tudo parecia um mar de rosas entre o clube paulista e o craque, talvez as coisas não estejam tão bem assim.

Catorze anos de futebol europeu desacostumaram o atacante. Lá, o expediente de concentrações é pouco (ou nunca) utilizado. Como o próprio Ronaldo argumentou, o Barcelona se reuniu apenas um dia antes da final da Liga dos Campeões da Europa, contra o Manchester United.

Mas o Fenômeno deveria saber que no Brasil, não só o Corinthians, como todos os clubes grandes do país, se concentram com antecedência. Mais importante do que isso, Ronaldo deveria saber o momento de fazer as suas reclamações publicamente. Dois dias antes da final da Copa do Brasil não é o mais indicado.

De certa forma, Ronaldo é um atacante europeu se adaptando à realidade brasileira. Treinando em lugares sem estrutura, como o CT do Parque Ecológico, se acostumando aos treinos diários, muitas vezes em dois períodos, e, também, às constantes concentrações.

É o mesmo que acontece com os técnicos brasileiros que se aventuram na Europa. Acostumados com um método de trabalho aqui no Brasil, tentam implementá-lo no continente europeu sem levar em consideração o que normalmente é feito por lá. Resultado: são derrubados pelos próprios jogadores (e aí está o exemplo do Felipão no Chelsea que não me deixa mentir).

Ronaldo deveria engolir alguns sapos e, na medida do possível, trazer um pouco de sua experiência européia para o Corinthians. Se fizer isso internamente, melhor ainda. Já Luiz Felipe Scolari (e demais técnicos brasileiros no exterior) poderiam absorver o que normalmente é feito por aquelas bandas e, aos poucos, implementar suas crenças.

Mudanças abruptas nunca são bem-vindas. Reclamações públicas, também.

29
jun/09
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O tal “inconsciente coletivo”

Hoje, o vice-presidente de futebol do Internacional, Fernando Carvalho, convocou a imprensa para mostrar um vídeo com erros da arbitragem a favor do Corinthians. “Chegaram à final por erros de arbitragem”, disse o cartola. Mais do que isso. Carvalho afirmou que não dúvida da honestidade dos árbitros, mas que se estabeleceu um “inconsciente coletivo” de favorecimento ao clube paulista.

Erros acontecem, não há a menor dúvida. Muitos são da opinião que o Corinthians, por ter mais torcida e, portanto, mais mercado, acaba sendo favorecido por esse tal “inconsciente coletivo” que Carvalho cita. Eu discordo. Não vou assistir a todos os jogos do Internacional na Copa do Brasil, mas será que ele pode afirmar com certeza que o Colorado não foi personagem de nenhum lance duvidoso no torneio? Tenho certeza que foi. Isso quer dizer que houve um favorecimento do árbitro em relação ao Colorado? Óbvio que não.

O erro faz parte do futebol. Frase para lá de manjada, mas que não deixa de ser verdadeira. Se, por exemplo, o Internacional vencer o Corinthians devido a um lance duvidoso da arbitragem, qual será o argumento de Carvalho? Justiça divina? Provou do próprio veneno? Afinal, o Corinthians é “sempre favorecido”. Ou seja: o que serve para os outros não serve para o próprio clube gaúcho.

O presidente da Comissão de Arbitragem, Sérgio Corrêa da Silva, foi correto em sua declaração: “Também poderiam ter feito um DVD com erros de seus atacantes, zagueiros, goleiros… (…)”

Talvez, o Internacional devesse focar em outros aspectos da partida.

também poderiam ter feito um DVD com erros de seus atacantes, zagueiros, goleiros…
29
jun/09
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Luís Fabiano e Dunga firmes na Seleção

O Brasil venceu o dedicado time dos EUA e tornou-se tricampeão da Copa das Confederações. Algumas considerações:

- Luís Fabiano se firma cada vez mais como o camisa 9 da Seleção. Os números comprovam isso. Com os dois gols na final, ele acaba de alcançar a artilharia da Era Dunga com 16 gols, ultrapassando Robinho (15 gols). Sua média de gols também é impressionante: 22 tentos em 31 jogos (0,71 por partida). Nesse ritmo, mesmo que Ronaldo emagreça, será difícil tirar a vaga de titular do Fabuloso.

- Muito bonita a emoção de Lúcio ao fazer o gol e quando o juiz apitou o final da partida. Apesar do costumeiro exagero de Galvão Bueno, vale a pena ressaltar que se trata de um veterano pentacampeão mundial. O mais absurdo é saber que o Bayern de Munique o dispensou. Real Madrid? Milan? Barcelona? Alguém? Tem um baita zagueiro livre no mercado!

- Palmas para os americanos. Fizeram uma Copa das Confederações brilhante ao desclassificar a Espanha e complicar (muito) a vida do Brasil. É um time que sabe suas limitações, não inventa e aposta no que sabe fazer de melhor: defender com eficiência e puxar rápidos contra-ataques. Tim Howard foi, com justiça, o melhor goleiro do campeonato.

- Não há meios de Dunga sair da Seleção até a Copa do Mundo. Muitos imaginavam que ele não duraria muito no cargo de técnico. Hoje, pode até haver quem não goste do trabalho do técnico, mas não dá para negar que ele merece estar onde chegou.

24
jun/09
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Uma justa vitória americana

A Espanha, quem diria, voltou a ser Espanha – uma seleção que sempre gera grandes expectativas, mas que decepciona na hora agá. Ninguém apostava na derrota da Fúria. Compreensível, afinal, o adversário era a limitada e pouco tradicional equipe americana enfrentando a seleção do momento. Mesmo assim, dá para rotular o resultado como zebra? Não creio.

O Estados Unidos investiu na única coisa que, em qualquer esporte que seja, sabe fazer bem: defender-se. Se possível, armar contra-ataques puxados por Dempsey e Donovan. Era o que dava para fazer e deu certo. Na única oportunidade que teve, Dempsey passou para o bom atacante Altidore. Ele se livrou de Capdevilla e abriu o placar.

Os espanhóis, enquanto isso, martelavam o ferrolho armado pelo técnico Bob Bradley, sem sucesso. Mesmo com maior posse de bola, houve poucas finalizações perigosas e todas elas foram muito bem aparadas pelo goleiro Tim Howard. A falha do bom zagueiro/lateral Sergio Ramos, bobeando dentro da área, decretou a vitória americana.

Considerando o momento que a Espanha atravessa (campeã da Eurocopa e há 35 jogos sem perder), é muito fácil falar que o resultado foi uma zebra. Mas olhando exclusivamente para o jogo desta tarde, foi um resultado mais do que justo.

23
jun/09
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Joel fala inglês, sim!

“Deram muita ênfase nesta minha história de eu não falar inglês. O técnico da Inglaterra (Fabio Capello), que é italiano, não fala inglês. Vim para cá e começaram com isso. Que eu não falo inglês, que não falo isso. Besteira. Trabalhei quatro anos nos Emirados Árabes, seis anos na Arábia Saudita, um ano no Japão. Acham que eu ganhei a vida como?”

Este é Joel Santana, técnico da África do Sul, ao globoesporte.com.

A verdade é que Joel fala, sim, inglês. Pode não ser fluente, nem ter um vocabulário extenso, mas acredito que os jogadores conseguem compreendê-lo. Quando tem alguma dúvida, o técnico tem o intérprete logo ao lado para lhe ajudar. Que mal há nisso?

Ontem mostrei o vídeo da entrevista de Joel para o meu irmão Marcio, um completo ignorante em futebol (com todo o respeito), mas que sabe falar inglês muitíssimo bem. Não contei a ele sobre a polêmica e as gozações de que Joel Santana era alvo. “Ué, entendi muito bem o que ele disse. Não está perfeito, mas ele é muito compreensível”, disse meu irmão.

Penso da mesma forma. Até mesmo para um jovem não é fácil aprender uma nova língua, imagine para um senhor de 60 anos.  Tenho certeza que muitos dos jornalistas que caçoam Joel não conseguem formar uma frase coerente na língua.

23
jun/09
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Simples e objetivo em tudo

Não nego. Aos poucos Dunga foi me conquistando como técnico da Seleção Brasileira e creio que não estou sozinho nisso. Um tanto grosseiro no tratamento com a imprensa, isso nada mais é que o reflexo do seu jeito simples e objetivo de ser. Objetividade essa que fica clara na maneira que o Brasil joga em campo.

No Brasil de Dunga há espaço, sim, para jogadores como Gilberto Silva. Contestado por muitos, o técnico pensa de maneira pragmática sobre o volante. Sabe que, no futebol atual, precisa de jogadores altos e fortes para ganhar divididas e jogadas aéreas. Complementa o vigor físico da Seleção com Felipe Melo: melhor com as bola nos pés, embora não seja excepcional.

O desempenho de Ramires talvez tenha surpreendido o próprio Dunga. Se em Elano ele tinha um jogador burocrático, bom para bater faltas, mas que faz mais do mesmo, Ramires trouxe a leveza que faltava para o time do Brasil. Um alívio para Kaká que agora tem como parceiro alguém de raciocínio rápido como ele.

É muito difícil acreditar que Brasil e Espanha não passem por África do Sul e Estados Unidos, respectivamente. A final da Copa das Confederações será importante para saber se a) a Espanha realmente está com essa bola toda e b) o Brasil realmente está no caminho certo para a Copa.