25
nov/09
3

Caso Henry, Fifa e precedentes perigosos

Henry, malandrinho, controlando a bola com a mão: anular o jogo é bobagem

Henry, malandrinho, controlando a bola com a mão: anular o jogo é bobagem

A Fifa convocou uma reunião extraordinária para discutir, entre outras coisas, o caso Henry. O francês ajeitou a bola com a mão duas vezes antes de cruzar para Gallas fazer o gol da classificação da França para a Copa do Mundo de 2010. A Irlanda foi lesada como poucos na história do futebol.

Henry, claro, se diz muito arrependido e envergonhado do que fez. Até mesmo defendeu uma nova partida. Não se podia esperar outra coisa, obviamente. Ele jamais diria: “É! Meti a mão na bola mesmo e o que importa é que a França se classificou!” Ninguém diria isso mesmo que se sinta dessa maneira. Além disso, com irlandês não se brinca, então é melhor defender um novo jogo mesmo que ele jamais aconteça.

Uma nova partida não será feita porque isso abriria um precedente perigoso. Mesmo com uma irregularidade tão clamorosa como a cometida por Henry, não há como voltar atrás na decisão equivocada do juiz. Serviria como argumento para refazer qualquer jogo com erros de arbitragem, em qualquer lugar do globo. Portanto, aceitar o resultado da partida mesmo com o erro que prejudicou a Irlanda é, sim, a coisa certa a fazer.

O que não é certo é permitir que incidentes como esse voltem a acontecer. Já falei aqui sobre o sistema de desafios da NFL e nem é preciso algo tão sofisticado assim. Também não precisa colocar dois auxiliares a mais atrás dos gols.

Basta colocar um juiz, em um lugar reservado, com um monitor assistindo a transmissão do jogo. Já eliminaria erros crassos como o do jogo entre Irlanda e França.

23
nov/09
0

São Paulo pode vencer quase sem querer

O São Paulo de Ricardo Gomes e Rogério Ceni pode vencer por falta de adversários competentes

O São Paulo de Ricardo Gomes e Rogério Ceni pode vencer por falta de adversários competentes

O São Paulo está a caminho de conquistar o tetra-hepta do Campeonato Brasileiro meio que sem querer. O tricolor paulista bem que tentou entregar de bandeja o título para Palmeiras e Flamengo. Mas nenhum dos dois se apresentou para abocanhar a taça.

Na 34ª rodada o São Paulo empatou um jogo que poderia ter vencido contra o Grêmio, no Olímpico. Sim, o tricolor gaúcho é o melhor mandante do Brasileirão. Mas o jogo esteve nas mãos do time de Ricardo Gomes que desperdiçou a chance de vencer por causa das expulsões patéticas de Borges e Dagoberto.

O Palmeiras, no entanto, ao em vez de aproveitar a chance sucumbiu diante do Fluminense no Palestra Itália. Imperdoável para quem quer ser campeão.

Na última rodada vimos o mesmo filme. O São Paulo perdeu para um valente Botafogo por 3 x 2 no Engenhão. O Flamengo entrou em campo sabendo que a vitória lhe daria pela primeira vez a liderança do Brasileirão 2009. Bastava vencer o Goiás, time sem motivação alguma no torneio.

Pois é, não conseguiu. Se houve mala-branca não importa. O suposto dinheiro recebido pelos jogadores do Goiás não pode ser motivação maior que o desejo dos flamenguistas de ser campeão.

Desta maneira – meio sem querer, quase que por acidente, por falta de adversários competentes – o São Paulo, que não foi tão competente como de costume neste Brasileirão, tem tudo para chegar ao título.

A não ser que tente dar mais uma mãozinha para os concorrentes falhando diante do Goiás. Nada impossível. Mas será que alguém, finalmente, vai aproveitar a oportunidade?

18
nov/09
3

Pai, amante, amigo e homem

No meio do turbilhão de coisas que têm acontecido na minha vida (falando de coisas pessoais, quem diria), consegui encaixar uma ida ao cinema. Sem muito planejamento, com bons amigos que fiz recentemente. Amizades que surgiram no ambiente mais improvável, lhes garanto, e até por isso são mais valiosas.

Assim como quando o assunto é futebol americano, não sou muito entendido de filmes mas arrisco os meus pitacos. Vamos lá.

“À procura de Eric”, do inglês Ken Loach, é um filme singelo que tem como maior atração o craque francês Eric Cantona, ídolo do Manchester United. A história é sobre seu xará menos afortunado, Eric, um carteiro que vive às turras com os dois enteados que cria com dificuldades. Além disso, Eric amargura-se por não ter levado adiante uma antiga paixão. É um homem à beira de um colapso, cansado e abatido. E a pouca alegria que tem reside na cerveja com os amigos, no Manchester United e em Eric Cantona, cuja imagem em tamanho real ele guarda em seu quarto.

Em uma das inúmeras vezes em que pede ajuda ao Cantona pregado em sua parede, para sua surpresa, surge o “verdadeiro” Cantona sentado em sua cama. Com frases de efeito e muita disposição, o controverso craque francês ajuda Eric a retomar a vida.

Mais do que Eric Cantona, divertidíssimo no filme, Steve Evets, como o carteiro Eric, é sensacional. Personifica com destreza a figura do pai preocupado, amante arrependido, amigo leal e homem em busca de um propósito.

“À procura de Eric” é um filme tenso em muitos momentos, mas fundamentalmente engraçado e tocante. Confesso que me emocionei no fim.

12
nov/09
1

Agora também tem que torcer pelo juiz

Elmo Resende depois da lambança no gol de empate do Palmeiras: agora tem que torcer pelo juiz

Elmo Resende depois do gol palmeirense: agora tem que torcer para o juiz não errar

É insuportável. Mais uma vez a arbitragem se torna o centro das atenções quando poderíamos focar em outros aspectos da partida entre Palmeiras e Sport, ontem, no Palestra Itália. Culpa, agora, de Elmo Resende que se embananou todo no gol de empate do time da casa.

Quando o lateral Armero mandou a bola para a área e Elmo Resende soou o apito precipitadamente já estava decidido que um dos times sairia prejudicado:

O Palmeiras seria lesado se o gol de Danilo – legal – fosse anulado.

O Sport seria prejudicado pois os jogadores pararam ao ouvir o apito do juiz.

Quem levou a pior foi o time pernambucano, já rebaixado para a Série B em 2010. Fruto da derrocada que se iniciou com a eliminação da Libertadores da América, para o próprio Palmeiras, e que teve seu capítulo final no soar equivocado do apito de Elmo Resende.

Será que no final de semana teremos manchetes só sobre o resultado dos jogos e não aos erros dos árbitros?

Agora é assim: não basta torcer para o seu time do coração. Tem que torcer, também, para o juiz não fazer besteira.

10
nov/09
2

Obina admitiu? Não interessa!

O árbitro Carlos Eugênio Simon (ô assunto chato, meu deus) contou que Obina admitiu que fez falta em Maicon, do Fluminense.

Luiz Gonzaga Belluzzo, do Palmeiras, disse que isso é cascata. Ele jamais admitiria o que não fez.

O auxiliar de Simon no jogo, Marcelo Bertranha, confirmou a história do árbitro gaúcho.

O que isso quer dizer? Absolutamente nada!

Mesmo que Obina, estranhamente, dissesse que fez uma falta que não fez, Simon nos contasse isso e o auxiliar assinasse embaixo, NÃO IMPORTA!

O que importa é que as imagens da televisão, esse aparelho cruel que revela em Full HD as besteiras do árbitro, mostram que Obina não fez absolutamente nada.

E com isso não se discute.

10
nov/09
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Futebol americano, canarinho e Simon

Vou misturar coisas que não tem nada a ver uma coisa com a outra. Mas o blog é pessoal e me dou o direito de escrever algumas bobagens de vez em sempre.

O erro de Carlos Eugênio Simon no jogo entre Palmeiras e Fluminense traz, mais uma vez, a questão da utilização do olho eletrônico no auxílio do juiz. Na NFL (liga de futebol americano), como já expliquei anteriormente, há um recurso que os técnicos podem utilizar para desafiar a decisão do árbitro. Quando isso acontece o juiz analisa a jogada mais uma vez pela televisão e pode voltar atrás na marcação se achar que fez merda.

Mas nem mesmo esse recurso está isento de falhas. Exemplo disso foi o jogo entre Philadelphia Eagles e Dallas Cowboys no último domingo.

O jogo estava empatado em 13 x 13 faltando dez minutos para o fim. Os Eagles tinham a posse de bola e precisavam apenas de centímetros para conseguir mais quatro tentativas de percorrer dez jardas.

Pausa para quem não sabe como funciona o futebol americano (eu mesmo não sou um especialista, apenas gosto bastante). O jogo consiste em avançar o território inimigo até a chamada end zone, onde se anota o touchdown. O time que ataca tem quatro tentativas para avançar pelo menos dez jardas. Caso isso não aconteça até a terceira tentativa quem ataca executa um punt – joga a bola o mais distante possível da sua end zone para que o adversário ataque.

Mas quem ataca também pode tentar avançar as jardas que faltam na quarta tentativa. Isso é arriscado, pois caso não consiga o adversário começará a ofensiva daquele ponto e já ganha bastante território logo de cara.

Foi isso o que tentou fazer o Philadelphia Eagles: avançar os centímetros que faltavam na quarta tentativa para assim conseguir o first down (mais quatro oportunidades para percorrer dez jardas).

O quarterback dos Eagles (jogador que lança a bola e coordena as jogadas ofensivas), Donovan McNabb, tentou ganhar esses centímetros na marra, encarando a defesa. Ele teria conseguido o first down não fosse o erro da arbitragem, que posicionou a bola erradamente, um pouco antes de onde aconteceu a queda do jogador.

O técnico do Philadelphia, Andy Reid, desafiou a decisão do árbitro. Mesmo após rever a jogada o juiz da partida não voltou atrás e deu a posse de bola para o Dallas Cowboys, que começou a atacar já do meio de campo. Logo na terceira tentativa os Cowboys conseguiram o touchdown que lhes deu a vitória. Algo que não teria acontecido se o juiz, que teve duas oportunidades para fazer a coisa certa, voltasse atrás na marcação e desse first down para os Eagles.

Ou seja, nem mesmo com a ajuda do olho eletrônico os árbitros ficam isentos de fazer merda. O erro neste jogo entre Eagles e Cowboys praticamente selou a derrota dos donos da casa. É evidente que o número de besteiras diminui vertiginosamente com esse recurso. Não é raro ver os juízes no futebol americano voltando atrás em uma decisão. Sem demérito nenhum, é impossível ver todos os detalhes do lance a olho nu e tomando decisões imediatamente.

Voltando para o futebol jogado primordialmente com os pés (embora tenha alguns malandros que insistem em fazer gol com a mão). Simon, no momento do lance, pode ter errado sem querer mesmo. Não duvido. Se houvesse algo parecido com o desafio utilizado no futebol americano na peleja canarinha, talvez ele pudesse voltar atrás e validado o gol do Palmeiras. O que não pode – e aí me parece desonestidade pura e simples – é o árbitro gaúcho insistir em dizer que viu falta do Obina mesmo depois de assistir as imagens da televisão. Não há a menor dúvida que o gol foi legal e que ele errou. Seria, sim, de uma grandeza exemplar se ele admitisse o equívoco.

É uma pena que insista em justificar o injustificável.

9
nov/09
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Belluzzo está certo, mas age com a paixão

Luiz Gonzaga Belluzo, presidente do Palmeiras, é um apaixonado pelo clube que dirige. Disse que o Fluminense também jogou mal. Tudo bem, o Tricolor das Laranjeiras pode não ter jogado o fino, mas foi muito superior ao Verdão.

Belluzzo tem todo o direito de reclamar. Só não pode usar os erros de arbitragem para mascarar uma realidade: o Palmeiras não está jogando absolutamente nada e não é de hoje que não faz por merecer a liderança.

Só não perdeu o primeiro lugar antes porque nenhum outro time se dispôs a fazê-lo. Nem mesmo o São Paulo, tricampeão brasileiro e ponteiro da tabela, inspira confiança. Se futebol é momento, o favorito nesse instante é o Flamengo, clube que faz campanha impecável no segundo turno do Brasileirão.

Simon

Se Carlos Eugênio Simon foi mal-intencionado ou não ao anular o gol legítimo de Obina, o que importa é que não pode mais apitar. A CBF – e não Rogério Ceni, que não manda nisso – resolveu afastar o árbitro do Campeonato Brasileiro 2009. Resta saber se vai mudar a indicação para a Copa do Mundo de 2010. Seria uma incoerência sem tamanho se Simon viajasse para a África do Sul. Mas é de incoerências como essa, infelizmente, que vive o futebol brasileiro.