nov/091
Agora também tem que torcer pelo juiz

Elmo Resende depois do gol palmeirense: agora tem que torcer para o juiz não errar
É insuportável. Mais uma vez a arbitragem se torna o centro das atenções quando poderíamos focar em outros aspectos da partida entre Palmeiras e Sport, ontem, no Palestra Itália. Culpa, agora, de Elmo Resende que se embananou todo no gol de empate do time da casa.
Quando o lateral Armero mandou a bola para a área e Elmo Resende soou o apito precipitadamente já estava decidido que um dos times sairia prejudicado:
O Palmeiras seria lesado se o gol de Danilo – legal – fosse anulado.
O Sport seria prejudicado pois os jogadores pararam ao ouvir o apito do juiz.
Quem levou a pior foi o time pernambucano, já rebaixado para a Série B em 2010. Fruto da derrocada que se iniciou com a eliminação da Libertadores da América, para o próprio Palmeiras, e que teve seu capítulo final no soar equivocado do apito de Elmo Resende.
Será que no final de semana teremos manchetes só sobre o resultado dos jogos e não aos erros dos árbitros?
Agora é assim: não basta torcer para o seu time do coração. Tem que torcer, também, para o juiz não fazer besteira.
nov/092
Obina admitiu? Não interessa!
O árbitro Carlos Eugênio Simon (ô assunto chato, meu deus) contou que Obina admitiu que fez falta em Maicon, do Fluminense.
Luiz Gonzaga Belluzzo, do Palmeiras, disse que isso é cascata. Ele jamais admitiria o que não fez.
O auxiliar de Simon no jogo, Marcelo Bertranha, confirmou a história do árbitro gaúcho.
O que isso quer dizer? Absolutamente nada!
Mesmo que Obina, estranhamente, dissesse que fez uma falta que não fez, Simon nos contasse isso e o auxiliar assinasse embaixo, NÃO IMPORTA!
O que importa é que as imagens da televisão, esse aparelho cruel que revela em Full HD as besteiras do árbitro, mostram que Obina não fez absolutamente nada.
E com isso não se discute.
nov/090
Futebol americano, canarinho e Simon
Vou misturar coisas que não tem nada a ver uma coisa com a outra. Mas o blog é pessoal e me dou o direito de escrever algumas bobagens de vez em sempre.
O erro de Carlos Eugênio Simon no jogo entre Palmeiras e Fluminense traz, mais uma vez, a questão da utilização do olho eletrônico no auxílio do juiz. Na NFL (liga de futebol americano), como já expliquei anteriormente, há um recurso que os técnicos podem utilizar para desafiar a decisão do árbitro. Quando isso acontece o juiz analisa a jogada mais uma vez pela televisão e pode voltar atrás na marcação se achar que fez merda.
Mas nem mesmo esse recurso está isento de falhas. Exemplo disso foi o jogo entre Philadelphia Eagles e Dallas Cowboys no último domingo.
O jogo estava empatado em 13 x 13 faltando dez minutos para o fim. Os Eagles tinham a posse de bola e precisavam apenas de centímetros para conseguir mais quatro tentativas de percorrer dez jardas.
Pausa para quem não sabe como funciona o futebol americano (eu mesmo não sou um especialista, apenas gosto bastante). O jogo consiste em avançar o território inimigo até a chamada end zone, onde se anota o touchdown. O time que ataca tem quatro tentativas para avançar pelo menos dez jardas. Caso isso não aconteça até a terceira tentativa quem ataca executa um punt – joga a bola o mais distante possível da sua end zone para que o adversário ataque.
Mas quem ataca também pode tentar avançar as jardas que faltam na quarta tentativa. Isso é arriscado, pois caso não consiga o adversário começará a ofensiva daquele ponto e já ganha bastante território logo de cara.
Foi isso o que tentou fazer o Philadelphia Eagles: avançar os centímetros que faltavam na quarta tentativa para assim conseguir o first down (mais quatro oportunidades para percorrer dez jardas).
O quarterback dos Eagles (jogador que lança a bola e coordena as jogadas ofensivas), Donovan McNabb, tentou ganhar esses centímetros na marra, encarando a defesa. Ele teria conseguido o first down não fosse o erro da arbitragem, que posicionou a bola erradamente, um pouco antes de onde aconteceu a queda do jogador.
O técnico do Philadelphia, Andy Reid, desafiou a decisão do árbitro. Mesmo após rever a jogada o juiz da partida não voltou atrás e deu a posse de bola para o Dallas Cowboys, que começou a atacar já do meio de campo. Logo na terceira tentativa os Cowboys conseguiram o touchdown que lhes deu a vitória. Algo que não teria acontecido se o juiz, que teve duas oportunidades para fazer a coisa certa, voltasse atrás na marcação e desse first down para os Eagles.
Ou seja, nem mesmo com a ajuda do olho eletrônico os árbitros ficam isentos de fazer merda. O erro neste jogo entre Eagles e Cowboys praticamente selou a derrota dos donos da casa. É evidente que o número de besteiras diminui vertiginosamente com esse recurso. Não é raro ver os juízes no futebol americano voltando atrás em uma decisão. Sem demérito nenhum, é impossível ver todos os detalhes do lance a olho nu e tomando decisões imediatamente.
Voltando para o futebol jogado primordialmente com os pés (embora tenha alguns malandros que insistem em fazer gol com a mão). Simon, no momento do lance, pode ter errado sem querer mesmo. Não duvido. Se houvesse algo parecido com o desafio utilizado no futebol americano na peleja canarinha, talvez ele pudesse voltar atrás e validado o gol do Palmeiras. O que não pode – e aí me parece desonestidade pura e simples – é o árbitro gaúcho insistir em dizer que viu falta do Obina mesmo depois de assistir as imagens da televisão. Não há a menor dúvida que o gol foi legal e que ele errou. Seria, sim, de uma grandeza exemplar se ele admitisse o equívoco.
É uma pena que insista em justificar o injustificável.
nov/090
Belluzzo está certo, mas age com a paixão
Luiz Gonzaga Belluzo, presidente do Palmeiras, é um apaixonado pelo clube que dirige. Disse que o Fluminense também jogou mal. Tudo bem, o Tricolor das Laranjeiras pode não ter jogado o fino, mas foi muito superior ao Verdão.
Belluzzo tem todo o direito de reclamar. Só não pode usar os erros de arbitragem para mascarar uma realidade: o Palmeiras não está jogando absolutamente nada e não é de hoje que não faz por merecer a liderança.
Só não perdeu o primeiro lugar antes porque nenhum outro time se dispôs a fazê-lo. Nem mesmo o São Paulo, tricampeão brasileiro e ponteiro da tabela, inspira confiança. Se futebol é momento, o favorito nesse instante é o Flamengo, clube que faz campanha impecável no segundo turno do Brasileirão.
Simon
Se Carlos Eugênio Simon foi mal-intencionado ou não ao anular o gol legítimo de Obina, o que importa é que não pode mais apitar. A CBF – e não Rogério Ceni, que não manda nisso – resolveu afastar o árbitro do Campeonato Brasileiro 2009. Resta saber se vai mudar a indicação para a Copa do Mundo de 2010. Seria uma incoerência sem tamanho se Simon viajasse para a África do Sul. Mas é de incoerências como essa, infelizmente, que vive o futebol brasileiro.
out/096
Quando Rogério Ceni beira o autoritarismo

Ceni pode reclamar. Mas pedir veto, não
As reclamações de Rogério Ceni após a vitória do São Paulo contra o Santos mostram um pouco o lado negro do arqueiro tricolor. Particularmente, eu não o expulsaria de campo pela falta cometida. Amarelo já estava de bom tamanho. Mas entendo a decisão do árbitro Carlos Eugênio Simon que deu o cartão vermelho por entender que Ceni era o último homem.
Até aí tudo bem. Rogério tem todo o direito de questionar a decisão do juiz. O problema é o que o goleiro disse depois do jogo:
“Eu só quero que ele não apite mais jogos do São Paulo. O que eu vou fazer se ele me persegue? Sempre foi assim.”
Rogério Ceni não tem poder de dizer quem deve ou não apitar os jogos do São Paulo. Em tese, nem o tricolor paulista deveria ter, embora já tenha vetado árbitros em algumas ocasiões. A reação exagerada do ídolo são-paulino mostra sua faceta autoritária. Não é a primeira vez que isso acontece.
Em 2 de maio de 2006 os jornalistas Toni Assis e Ricardo Perrone publicaram a seguinte matéria na Folha de S. Paulo:
Comerciante, Rogério lucra sem pagar aluguel
Brasileiro mais bem pago no futebol no país, são-paulino teve de fechar sua loja no Morumbi
Jogador brasileiro mais bem pago em território nacional, com pouco mais de R$ 300 mil mensais, Rogério Ceni entrou numa lista de parceiros são-paulinos que ganharam dinheiro no clube sem dar lucro algum em troca.
O goleiro, de 33 anos, está na relação porque engordou a sua conta bancária com a venda de camisas numa lojinha no Morumbi, sem pagar um centavo de aluguel.
Mais aqui.
O que fez Rogério Ceni ao saber da matéria? Pediu para o seu assessor de imprensa informar aos repórteres que não falaria mais com a Folha de S. Paulo. A matéria nada tinha de mentirosa. E foi a verdade revelada que irritou o camisa 1.
Ceni é um grande goleiro, pessoa e profissional. Mas aos 36 anos já está em tempo de aprender a controlar seus rasgos autoritários que uma vez ou outra vêm à tona.
out/090
Ronaldo e Riquelme pode não funcionar

Riquelme é um grande jogador, mas será outro jogador que não marca no Timão
É incompreensível a insistência do Corinthians no argentino Riquelme.
É um craque? Sim. Tem experiência em torneios continentais? Muita! Pode ser decisivo na Libertadores em 2010? Sem dúvida alguma.
Só tem um detalhe: o Corinthians já tem Ronaldo. Não que os dois não possam jogar juntos. Até podem. Mas quem vai marcar quando o time perder a redonda? O Fenômeno não dá combate na saída de bola nem se quisesse. Não aguenta o tranco. O problema de Riquelme é outro: ele simplesmente não faz isso, sempre foi assim.
O time de Mano Menezes funcionou no primeiro semestre porque tinha a saúde de Cristian para correr por Ronaldo e até pelos outros. Além disso, Dentinho e Jorge Henrique se sacrificavam voltando até a linha de fundo do campo de defesa para marcar. Douglas não era brilhante como Riquelme – embora não fosse tão ruim quanto a torcida dizia -, mas apertava a saída de bola na medida do possível.
Uma coisa é o time jogar em função de um jogador, como acontece agora com Ronaldo. Adicionar Riquelme na equação tem boas chances de não dar certo.
out/090
É hora de mudanças no líder Palmeiras

Nunes marcou duas vezes com a camisa cintilante do Ramalhão
Ah, Palmeiras. Assim não.
O jogo contra o Santo André tinha tudo para ser o da recuperação. Aquele jogo que colocaria o time de Muricy Ramalho no caminho das vitórias e do título. Não foi o que aconteceu.
O Verdão tomou o primeiro gol logo aos 20 minutos do primeiro tempo e se desesperou. Parecia que estava enfrentando um time dificílimo quando, na verdade, tratava-se do 17º colocado na tabela envergando uma ridícula camisa amarela berrante (se o Palmeiras entrasse com o uniforme marca-texto mal daria para ver o jogo).
O que se viu dali em diante foi patético. Diego Souza se ocupou mais em reclamar do que jogar bola. Obina perdeu duas boas chances pois só faz gol sem querer. Quando quer, na maioria das vezes a redonda vai para longe. Edmílson não tem mais pique para marcar no meio de campo. Domingo passado tomou um baile de Petkovic, esta noite apanhou para marcar Marcelinho Carioca! Resultado: 2 x 0 enfrentando o pior ataque do Campeonato Brasileiro.
O Palmeiras, pela tal “gordura” acumulada, continuará líder independente dos resultados do final de semana. Mas está na hora de acordar e, principalmente, de Muricy Ramalho fazer mudanças no time titular.
Ou o alviverde vai deixar escapar um campeonato que estava tranquilo nas suas mãos.
PS.: Mano Menezes deve estar se roendo de remorso. O mal desempenho dos líderes mostra como ele jogou a toalha cedo. Se o Corinthians se esforçasse só um pouquinho poderia muito bem almejar a tríplice coroa.
out/090
Ronaldo e Corinthians, um ano depois
Ronaldo completará em breve um ano de Corinthians e a relação entre ambos não poderia ser melhor. O Fenômeno declarou que pretende até encerrar a carreira no alvinegro e deixou de lado seu amor pelo Flamengo. Muita coisa mudou desde o bombástico anúncio de sua chegada ao alvinegro.
Um ano se passou e…
… Ronaldo fez muitos gols vestindo a camisa do Corinthians. Foram 19 no total e média de 0,61 por partida.
… Ronaldo participou de poucos jogos. Apenas 31. Pouco para um atleta profissional. A conta, porém, seria maior não fosse a lesão na mão, uma fatalidade que nada tem a ver com seus problemas crônicos de lesão.
… Ronaldo continua gordo. Evidente que mais importante que emagrecer é evitar lesões, mas esperava-se que depois de tanto tempo treinando regularmente ele melhorasse ao menos um pouco sua forma física.
… Ronaldo mostrou poder de decisão. Marcou contra os rivais Santos, Palmeiras e São Paulo e foi importante contra o Internacional, na final da Copa do Brasil.
… Ronaldo não criou discórdia no Corinthians por receber muito mais que os companheiros ou por ser uma estrela. Pelo contrário, é muito querido por todos no clube. Os jogadores até se esforçam mais quando ele está em campo, como ficou claro nos últimos jogos do alvinegro no Brasileirão.
… Ronaldo tornou-se inimputável. Praticamente blindado. O mal desempenho do time em qualquer momento da temporada nunca foi visto como culpa do principal jogador do elenco. A culpa sempre recaiu sob Mano Menezes, Elias, Dentinho, Felipe, Chicão… mas ninguém ousa criticar o Fenômeno embora ele tenha feito jogos pífios (exemplo: Corinthians e Vasco, semifinal da Copa do Brasil, no Pacaembu. Há outros.)
… Ronaldo calou os críticos mais uma vez. Mesmo gordo, visivelmente fora de forma, provou o que todos já estavam cansados de saber: é um jogador especial e com uma capacidade de superação extraordinária.
… Ronaldo tem chances, remotas, de jogar a Copa do Mundo de 2010. Antes da aventura de jogar pelo Corinthians nem se falava disso. Hoje, ao menos, cogita-se a possibilidade. Depende apenas dele. É só entrar em forma e continuar fazendo o que tem feito pelo Corinthians no ano que vem.
out/090
Petkovic é o problema que virou solução

Petkovic encaixou, mais uma vez, no time do Flamengo. Mas foi quase sem querer
Não adianta fechar os olhos para a realidade. O bom momento do Flamengo não é fruto de um trabalho primoroso de planejamento. Muito pelo contrário. Pode parecer piada, mas os erros da diretoria rubro-negra se tornaram em acertos inesperados. E o maior exemplo disso é o sérvio Petkovic.
Hoje, o meia de 37 anos é festejado como um dos responsáveis pela ascensão do Flamengo. Quando voltou à Gávea, no entanto, foi visto mais como um problema do que como solução. Ele chegou para saldar uma dívida de 18 milhões de reais que o clube lhe devia e sem a anuência do então técnico Cuca. Marcio Braga, presidente do Flamengo, por pouco não voltou de licença para cancelar o negócio feito pelo interino Delair Dumbrosck, mas acabou cedendo. O acerto causou constrangimento – Pet não jogava regularmente desde 2008, quando ainda vestia a camisa do Atlético-MG.
A parceria com Adriano deu certo e Petkovic é, com todos os méritos e porque é craque, personagem principal da ascensão do Flamengo no Campeonato Brasileiro. Mas isso não pode, jamais, mascarar os graves problemas que o rubro-negro enfrenta. Se este ano – mesmo aos trancos e barrancos – deu certo, em 2010 os fatores podem não convergir de maneira tão surpreendente de novo.
Independente disso, a campanha no Campeonato Brasileiro mostra a grandeza do Flamengo como instituição. Se mesmo que caoticamente o rubro-negro está na disputa por uma vaga na Libertadores e até do título de campeão… imagine se tivesse o mínimo de organização e planejamento. Não teria para ninguém.
