dez/090
Marca tenta criar um fato. Péssimo exemplo

Roberto Carlos se apresenta ao Corinthians no dia 4 de janeiro
Roberto Carlos não se ofereceu ao Real Madrid. A informação está no Blog do Boleiro, do jornalista Luciano Borges, para quem o lateral-esquerdo concedeu entrevista hoje.
“Vai saber… Eu já acertei tudo com o Corinthians. Como poderia pensar em voltar ao Real?”, disse o novo camisa seis do Corinthians.
O episódio – e a maneira que parte da imprensa brasileira engoliu a informação sem ao menos confirmar – é um péssimo exemplo de jornalismo. O diário espanhol Marca é conhecido por criar boatos e Roberto Carlos admitiu ter “conversado com repórteres espanhóis que torcem para que eu retorne”.
Ou seja: jogaram um verde para ver se saía alguma coisa a partir disso. E mesmo com o desmentido publicado pelo jogador a notícia continua na home do Marca. Triste.
dez/091
Um Corinthians “trintão” pronto para a pressão
O técnico Mano Menezes aposta em um time calejado para a disputa da Libertadores no ano de centenário do Corinthians. E tem razão. Talvez não tenha existido no futebol brasileiro pressão maior do que esta que o elenco corintiano enfrentará na próxima temporada. Para isso nada melhor do que jogadores experientes e capazes de lidar com isso.
Justifica-se, portanto, a aposta em jogadores trintões como Roberto Carlos, Tcheco, Iarley e o próprio Ronaldo. Difícil será lidar com o ego de tantos medalhões juntos.
Uma coisa é gerenciar um grupo com apenas uma estrela, como foi o Corinthians deste ano apenas com Ronaldo. Outra completamente diferente é o alvinegro que se apresenta para o ano que vem.
Cheio de jogadores consagrados e dispostos a jogar no time titular. Mano Menezes terá que fazer mais malabarismo do que de costume.
dez/090
O São Paulo com a cara de Ricardo Gomes

André Luís no São Paulo? Mesmo?
Ricardo Gomes já mostrou que está a altura de comandar um grande time como o São Paulo. Pegou o tricolor paulista perto da zona do rebaixamento e, por pouco, não saiu com o heptacampeonato brasileiro.
Será na montagem do time para 2010, no entanto, que veremos se ele realmente é o técnico campeão que o São Paulo precisa. Este ano, por mais que tenha feito um bom trabalho, pegou um time já montado por Muricy Ramalho. Agora nós veremos um São Paulo com a cara do atual comandante.
Algumas opções feitas por Ricardo Gomes, por enquanto, são curiosas.
Léo Lima é um excelente jogador, não há dúvidas. Mas é inconstante e displicente como poucos no futebol brasileiro.
André Luís é a (possível) contratação mais incompreensível até o momento. Se fosse um baita zagueiro com problemas de temperamento, até daria para entender. Bastaria domar isto para que ele mostrasse todo seu potencial.
Mas não. André Luís é um defensor abaixo da média que, ainda por cima, não sabe controlar os nervos. Protagonizou uma das cenas mais patéticas de 2008 quando tirou o cartão amarelo das mãos do juiz e apresentou ao próprio, quando ainda jogava pelo Botafogo. Além disso, o zagueiro não poderá participar das seis primeiras partidas da Libertadores exatamente por causa deste episódio.
Este novo São Paulo montado por Ricardo Gomes terá como objetivo principal fazer um bom papel na Libertadores da América. E para a exigente torcida do tricolor fazer um bom papel é chegar ao título. Menos do que isso não importa.
dez/090
Só depende de Luxa para dar certo

Que Luxa veremos no Galo? O campeão ou o disperso?
O Atlético-MG confirmou a contratação de Vanderlei Luxemburgo por dois anos. Um casamento que pode ser, sim, bom para os dois. Mas que depende apenas do técnico para dar certo.
O Galo tem feito um excelente trabalho e tem ambição de se tornar, quem sabe, campeão brasileiro. Mostrou este ano que tem poder de compra (trouxe jogadores importantes como Corrêa e Ricardinho) e uma estrutura excelente. Só não foi mais longe no Brasileirão deste ano porque tinha um técnico bom, mas sem vocação de vencedor.
Luxemburgo tem essa vocação. Foi cinco vezes campeão nacional e sabe montar times como poucos no futebol mundial. Ultimamente, no entanto, Luxa tem se ocupado com questões extra-campo que prejudicaram, e muito, seu rendimento como técnico de futebol. Questões como o Instituto Wanderley Luxemburgo e a insanidade de se tornar senador por Tocantins.
Se Vanderlei Luxemburgo for aquele que nós vimos nesta última passagem do Santos e do Palmeiras, sinto muito pelo Atlético-MG. Vai ser um fracasso.
Se o técnico, no entanto, focar no que sabe fazer de melhor, como no Palmeiras de 1993 e 1994, Corinthians de 1998, Cruzeiro de 2003 e Santos de 2004, o Atlético-MG encontrou o técnico que precisava.
Vamos torcer para que seja a última opção.
dez/091
Os radicais do futebol
Acabei de ler a história de Tânia Regina da Silva, uma enfermeira da cidade de Curitiba. Ela voltava do trabalho quando uma bomba lançada por torcedores organizados lhe arrancou três dedos da mão direita.
“Eles acabaram com a minha profissão, acabaram com a minha vida, acabaram com tudo, inclusive meus sonhos. São uns monstros”, disse Tânia.
Monstros. São os radicais e fanáticos do futebol. Assim como as religiões, que em sua essência são pacíficas e pregam o bem, o futebol, que prega a alegria, é distorcido e transformado em um instrumento de guerra.
Os guerrilheiros são recrutados nas torcidas organizadas, um câncer do futebol e da sociedade brasileira. Em suas sedes não se prega o amor ao futebol e ao clube do coração. Muito menos o amor ao próximo. Não. Lá se dissemina o ódio ao adversário acima de qualquer coisa. Muitas vezes o ódio ao próprio time como aconteceu com o Palmeiras – no caso Vágner Love – e em Curitiba com os vândalos depredando o patrimônio do Coxa.
Torcedores organizados? Não. Terroristas. E devem ser tratados dessa maneira. Medidas drásticas precisam ser tomadas para varrer esses marginais dos campos de futebol.
Enquanto isso não acontecer pessoas inocentes, como Tânia, é que vão pagar.
E o assunto principal não vai ser o hexa do Flamengo, a incrível arrancada do Fluminense e a classificação do Cruzeiro para a Libertadores. O que continuará invadindo as páginas de esportes são estes vândalos e o que precisa ser feito para evitar que tragédias como as do último final de semana voltem a acontecer.
dez/091
Entregar o jogo? Só pode ser dor de cotovelo!

Escudo que muitos gremistas endossam em comunidades no Orkut: prova da dor de cotovelo de parte da torcida
Me assusta – embora não surpreenda – que muitos torcedores do Grêmio peçam, de fato, que o time entregue o jogo para o Flamengo. Tudo para não ver o rival Internacional se sagrar campeão brasileiro. Esses torcedores não percebem a dor de cotovelo que isso representa? É inveja do rival? O colorado é assim tão importante na vida deles a ponto de ficarem ressentidos se o título for para o Beira-Rio?
Por outro lado, os torcedores do Internacional não podem dizer que essa situação é culpa do sistema de pontos corridos. O calendário do Brasileirão foi desenhado há muito tempo e não dá para prever que algo assim vá acontecer. Além disso, se o colorado depende da vitória do Grêmio para ser campeão é porque não fez a sua parte em rodadas anteriores. Paciência.
Acredito – e apenas o meia Souza me desautoriza em relação a isso – que os jogadores do Grêmio levarão a sério o jogo diante do Flamengo. Só não esperem que o time dê o sangue para vencer. Isso não vai acontecer. Independente do provável campeão ser o Internacional em caso de vitória do tricolor gaúcho no Maracanã.
nov/093
Caso Henry, Fifa e precedentes perigosos

Henry, malandrinho, controlando a bola com a mão: anular o jogo é bobagem
A Fifa convocou uma reunião extraordinária para discutir, entre outras coisas, o caso Henry. O francês ajeitou a bola com a mão duas vezes antes de cruzar para Gallas fazer o gol da classificação da França para a Copa do Mundo de 2010. A Irlanda foi lesada como poucos na história do futebol.
Henry, claro, se diz muito arrependido e envergonhado do que fez. Até mesmo defendeu uma nova partida. Não se podia esperar outra coisa, obviamente. Ele jamais diria: “É! Meti a mão na bola mesmo e o que importa é que a França se classificou!” Ninguém diria isso mesmo que se sinta dessa maneira. Além disso, com irlandês não se brinca, então é melhor defender um novo jogo mesmo que ele jamais aconteça.
Uma nova partida não será feita porque isso abriria um precedente perigoso. Mesmo com uma irregularidade tão clamorosa como a cometida por Henry, não há como voltar atrás na decisão equivocada do juiz. Serviria como argumento para refazer qualquer jogo com erros de arbitragem, em qualquer lugar do globo. Portanto, aceitar o resultado da partida mesmo com o erro que prejudicou a Irlanda é, sim, a coisa certa a fazer.
O que não é certo é permitir que incidentes como esse voltem a acontecer. Já falei aqui sobre o sistema de desafios da NFL e nem é preciso algo tão sofisticado assim. Também não precisa colocar dois auxiliares a mais atrás dos gols.
Basta colocar um juiz, em um lugar reservado, com um monitor assistindo a transmissão do jogo. Já eliminaria erros crassos como o do jogo entre Irlanda e França.
nov/090
São Paulo pode vencer quase sem querer

O São Paulo de Ricardo Gomes e Rogério Ceni pode vencer por falta de adversários competentes
O São Paulo está a caminho de conquistar o tetra-hepta do Campeonato Brasileiro meio que sem querer. O tricolor paulista bem que tentou entregar de bandeja o título para Palmeiras e Flamengo. Mas nenhum dos dois se apresentou para abocanhar a taça.
Na 34ª rodada o São Paulo empatou um jogo que poderia ter vencido contra o Grêmio, no Olímpico. Sim, o tricolor gaúcho é o melhor mandante do Brasileirão. Mas o jogo esteve nas mãos do time de Ricardo Gomes que desperdiçou a chance de vencer por causa das expulsões patéticas de Borges e Dagoberto.
O Palmeiras, no entanto, ao em vez de aproveitar a chance sucumbiu diante do Fluminense no Palestra Itália. Imperdoável para quem quer ser campeão.
Na última rodada vimos o mesmo filme. O São Paulo perdeu para um valente Botafogo por 3 x 2 no Engenhão. O Flamengo entrou em campo sabendo que a vitória lhe daria pela primeira vez a liderança do Brasileirão 2009. Bastava vencer o Goiás, time sem motivação alguma no torneio.
Pois é, não conseguiu. Se houve mala-branca não importa. O suposto dinheiro recebido pelos jogadores do Goiás não pode ser motivação maior que o desejo dos flamenguistas de ser campeão.
Desta maneira – meio sem querer, quase que por acidente, por falta de adversários competentes – o São Paulo, que não foi tão competente como de costume neste Brasileirão, tem tudo para chegar ao título.
A não ser que tente dar mais uma mãozinha para os concorrentes falhando diante do Goiás. Nada impossível. Mas será que alguém, finalmente, vai aproveitar a oportunidade?
nov/091
Agora também tem que torcer pelo juiz

Elmo Resende depois do gol palmeirense: agora tem que torcer para o juiz não errar
É insuportável. Mais uma vez a arbitragem se torna o centro das atenções quando poderíamos focar em outros aspectos da partida entre Palmeiras e Sport, ontem, no Palestra Itália. Culpa, agora, de Elmo Resende que se embananou todo no gol de empate do time da casa.
Quando o lateral Armero mandou a bola para a área e Elmo Resende soou o apito precipitadamente já estava decidido que um dos times sairia prejudicado:
O Palmeiras seria lesado se o gol de Danilo – legal – fosse anulado.
O Sport seria prejudicado pois os jogadores pararam ao ouvir o apito do juiz.
Quem levou a pior foi o time pernambucano, já rebaixado para a Série B em 2010. Fruto da derrocada que se iniciou com a eliminação da Libertadores da América, para o próprio Palmeiras, e que teve seu capítulo final no soar equivocado do apito de Elmo Resende.
Será que no final de semana teremos manchetes só sobre o resultado dos jogos e não aos erros dos árbitros?
Agora é assim: não basta torcer para o seu time do coração. Tem que torcer, também, para o juiz não fazer besteira.
nov/092
Obina admitiu? Não interessa!
O árbitro Carlos Eugênio Simon (ô assunto chato, meu deus) contou que Obina admitiu que fez falta em Maicon, do Fluminense.
Luiz Gonzaga Belluzzo, do Palmeiras, disse que isso é cascata. Ele jamais admitiria o que não fez.
O auxiliar de Simon no jogo, Marcelo Bertranha, confirmou a história do árbitro gaúcho.
O que isso quer dizer? Absolutamente nada!
Mesmo que Obina, estranhamente, dissesse que fez uma falta que não fez, Simon nos contasse isso e o auxiliar assinasse embaixo, NÃO IMPORTA!
O que importa é que as imagens da televisão, esse aparelho cruel que revela em Full HD as besteiras do árbitro, mostram que Obina não fez absolutamente nada.
E com isso não se discute.